Quem não tem ansiedade?

Atualmente fala-se muito em ansiedade. Difícil é encontrar alguém que não tenha seus momentos de ansiedade. É uma sensação desagradável, incômoda, mas nem sempre é algo a ser tratado.

Em muitas ocasiões a ansiedade ocorre como uma reação natural às adversidades da vida. Em determinadas situações, diferentes daquelas que estamos habituados no dia-a-dia sentimos um desconforto ou tensão. É o que sentimos naquelas ocasiões em que somos submetidos a algo desconhecido, algo que nos desafia, ou até mesmo que tememos, como por exemplo, uma entrevista de emprego, a apresentação de um trabalho, um encontro. Há um certo sofrimento em antecipação daquilo que está por vir.

Circunstâncias como essas, em que há um estímulo externo, colocando-nos em estado de ansiedade e tensão, provocam determinadas reações em nosso organismo, tais como palpitações, inquietação, taquicardia, suor, diarreia, dentre outros sintomas.

Segundo o psicólogo humanista-existencial americano Rollo May “ansiedade é a apreensão desencadeada por uma ameaça a algum valor que o indivíduo considera essencial para sua existência como personalidade”.

Esse é um tipo de ansiedade é normal e faz parte dos sentimentos naturais do ser humano. São reações proporcionais ao estímulo que a desencadeou, muitas vezes, sensatas e racionais. A ansiedade é aliviada por uma atividade proativa. Em determinadas ocasiões em que a ansiedade faz com que o indivíduo aja no sentido de crescer, buscar oportunidades, sair de uma situação de desconforto, pode até ser um recurso saudável.

No entanto, há de se ter cuidado para que esse estado de ansiedade “normal” não seja uma situação constante na vida do indivíduo. A constância do indivíduo em estado de alerta pode o levar ao estresse, que comprometerá sua saúde.

A ansiedade passa a ser considerada patológica quando, mesmo em situações comuns, sem um estímulo externo, a pessoa está em estado de alerta, com reações fisiológicas, comportamentais e psicológicas desproporcionais à circunstância em que se encontra. Esse tipo de reação causa sofrimento para si ou para as pessoas a seu redor, causando-lhes prejuízos em algum aspecto da vida. As preocupações são fora de controle e, muitas vezes, crônicas.

Abaixo, falaremos sobre alguns dos Transtornos de Ansiedade mais conhecidos:

– Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC):

Atualmente, observa-se uma certa banalização do TOC por pessoas dotadas de algumas manias, seja de limpeza, organização ou simetria. Embora tais manias possam ser desagradáveis e incômodas, em grande parte das vezes não se enquadram no diagnóstico de TOC, sendo essa uma doença mais grave que meras manias.

Para descrição do TOC, se faz necessário diferenciar a obsessão da compulsão. A pessoa que é acometida por esse transtorno é invadida por pensamentos ou imagens persistentes, considerados “obsessivos” que causam ansiedade e levam a pessoa a uma “compulsão” para alívio da ansiedade. Essas imagens e pensamentos obsessivos (geralmente negativos), são repetitivas e incontroláveis. Quanto mais o indivíduo tenta se desfazer de tais obsessões, mais elas impregnam. Já as compulsões, são os comportamentos e gestos repetitivos que o indivíduo pratica para aliviar a ansiedade. Tais gestos, não têm necessariamente coerência com o pensamento obsessivo, por exemplo, uma pessoa que acha que algo muito grave irá acontecer se ela não praticar determinado movimento corporal.

Para que haja o diagnóstico, é necessário que haja um prejuízo da rotina do indivíduo. Assim, uma pessoa que confere se trancou a fechadura diversas vezes, mas saiu de casa no tempo devido, não tem TOC, ao contrário da pessoa que não consegue sair de casa, faltando em seus compromissos para conferência da fechadura, permanecendo com o pensamento obsessivo.

– Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG):

Este transtorno é caracterizado por uma preocupação excessiva, sem um estímulo desencadeante. Trata-se de uma ansiedade crônica (o diagnóstico se dá com pelo menos seis meses de sintomas) podendo a pessoa conviver por muitos anos com o TAG, sem nem saber quando começou. A pessoa se preocupa exageradamente com tudo, de forma incontrolável. Está sempre em estado de alerta e acelerada, com sentimentos de apreensão, mesmo sem motivo aparente. Enxerga o futuro como algo incerto e ameaçador. O TAG tem uma prevalência maior nas idades entre 20 e 30 anos.

– Síndrome do Pânico, com ou sem Agorafobia:

A crise de Pânico é um ataque repentino com uma sensação abrupta e intensa de pavor que dura alguns minutos (cerca de 10 a 20 minutos), minutos esses que parecem eternos enquanto duram. Traz sintomas físicos como: taquicardia, palpitação, dores no peito, respiração ofegante; sudorese, tremores, náuseas; e sintomas psicológicos: medo de morrer, de perder o controle, de enlouquecer, dentre outros. Essa crise é desencadeada por uma estimulo equivocado do Sistema Nervoso Central, com o aumento da atividade cerebral. Esse transtorno acomete mais mulheres que homens.

Uma vez que a pessoa tenha experienciado uma crise ou ataque de Pânico, com sensações terríveis esta se torna uma experiência inesquecível. Passa a temer novas crises, ela se vê numa situação de ter “medo do medo”, configurando o Transtorno ou Síndrome do Pânico. 

A Síndrome do Pânico pode ou não vir acompanhada da Agorafobia, sendo mais comum que venha. A Agorafobia é o medo intenso de estar em lugares difíceis de obter ajuda, como por exemplo, medo de sair de casa sozinho, medo de lugares públicos ou transporte público, medos de lugares muito abertos, medo de filas ou multidões.

– FOBIAS ESPECÍFICAS:

Trata-se de um medo persistente, irracional, inexplicável e desproporcional a um objeto especifico, exemplo: claustrofobia, zoofobia, acrofobia, aracnofobia. As pessoas acometidas pelo Transtorno de Fobias Específicas têm consciência de que seus medos são exagerados, podendo até sentirem vergonha, mas não conseguem controlar seus medos. Evitam ao máximo o objeto de suas fobias sofrem prejuízos por isso em seus quotidianos.

Quando expostas a seus objetos fóbicos, ficam em estado de pavor. Mas esse transtorno não deve ser confundido com a crise de pânico. Enquanto os sintomas da fobia podem ser previstos e evitados, através da não exposição do sujeito ao objeto fóbico, os ataques de pânico são imprevisíveis e inevitáveis, já que não há um estímulo específico que desencadeie a crise.

– Transtorno de Ansiedade Social ou Fobia Social:

Não se trata de uma mera timidez, nem de introversão. A timidez é um traço da personalidade de uma pessoa, que mostra um certo acanhamento diante de outras, mas não impede que tenha um convívio social normal. Já a introversão diz respeito a pessoa que se sentem confortáveis quando estão só, sem a necessidade de aprovação de outros.

O transtorno de ansiedade social, por sua vez, também chamado de fobia social limita a vida social afetiva e profissional devido a um desconforto intenso e desproporcional. As pessoas acometidas por fobia social evitam o contato com o novo, se privam de novas experiências, possuem rotinas rígidas, preocupam-se demasiadamente com aprovação dos outros. Sentem-se expostas em situações sociais, enfrentando medo e ansiedade, com sintomas de taquicardia, sudorese, tremores, e até mesmo o medo das próprias sensações decorrentes da exposição.

– Transtorno de Estresse Pós Traumático (TEPT):

Este transtorno advém da exposição de uma pessoa a uma situação traumática, como por exemplo, a experiência de situação tragédia ou de violência, sequestro, estupro, testemunho de algum crime. Após o evento traumático, a lembrança constante desse fato faz com que a pessoa reviva a situação novamente, com sensações desagradáveis, podendo estas revivências ocorrerem por meio de sonhos, pensamentos invasivos, alucinações, dentre outros. Podem ser tão intensas que confundem o indivíduo com a realidade atual, podendo ainda, serem somadas a sensações físicas. O TEPT pode ocorrer de forma aguda (ocorre dentro de três meses após o evento); crônica (ocorre dentre três a seis meses após o evento); de início tardio (ocorrem mais de seis meses depois do evento).

A ansiedade, tanto em sua forma normal quanto em seu desenvolvimento patológico, deve ser observada e cuidada. A ansiedade normal, é uma reação natural do ser humano a um estímulo externo diferente, devendo observar-se se as reações fisiológicas provocadas no corpo estão em proporções equitativas, cuidando-se ainda para que, não haja situações tão frequentes de estímulos desencadeantes para que não haja estresse. O cuidado com saúde mental, com sessões regulares de psicoterapia e prática de hábitos saudáveis, contribuem para um bom direcionamento dessa ansiedade. Já os transtornos de ansiedade que atingem um estado patológico devem ser devidamente tratados, pois já se configura uma situação de sofrimento. Os tratamentos podem ocorrer de diversas formas, dentre elas, a psicoterapia e o tratamento medicamentoso (com prescrição de um médico psiquiatra).

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